São nas palavras não ditas - seja por pudor ou vergonha - que se encontra o verdadeiro. A verdade se encontra no silêncio, nas entrelinhas. E o que não te digo, é muito; tanto que é inefável e ininteligível. E é na mágica conjuntura do não-dizer que se intensifica, e se reafirma; nas não-palavras metamorfoseadas em suspiros e afagos. São as não-declarações ou declarações indiretas, os manifestamentos não-manifestados, que expressam o que as palavras não foram capazes. Ultrapassando a incapacidade da língua, atinge as restrições humanas: a covardia, fruto do medo de nos expor.
Calo-me, nos calamos todos para apreciar o nada que diz tudo. E fingindo não entender, prolongamos as não-palavras por mais alguns instantes, iludidos de que estamos protegidos pelo não-pronunciamento verbal do que foi dito. O silêncio nos expõe, de uma forma que as palavras jamais poderiam.
O nervosismo em tais horas mudas faz-me proferir asneiras, como estas que escrevo, que nada mais é do que tentativa frustrada de privar-me do silêncio de meu íntimo, gritando em cinema mudo o que eu guardo como segredo. Segredo revelado pelas não-palavras implícitas; fui traída por minha vontade secreta – e reprimida – de dizer o que bem poderia ter sido exprimido na ausência de palavras. Se digo é pelo desejo de escutar, não há altruísmo algum em meu dizer. Digo para mim, por mim, por nada – que é tudo –, por dizer. A resposta, seu silêncio angustiante...
Não dizer, é melhor assim.

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