17/05/2007

Cheiro de cigarro e água suja; são lembranças.

A luz do meu abajur me incomoda, mas a escuridão é ainda pior para escrever. Escrevo, incomodada. A nostalgia olfática de um cheiro incômodo que acompanhou bons momentos, porque não há momento perfeito. Não há nada perfeito. Até a própria idéia de perfeição não é perfeita, é monótona.
Eu sinto incômodo, não é a luz, não é o cheiro, é algo mais profundo. Eu sinto infelicidade, uma miserável infelicidade, insatisfação, insuficiência. Eu sinto que eu preciso me perder. Eu não tenho objetivos, não tenho ocupação, o que tenho são idéias confusas e textos medíocres. E infelicidade, insatisfação, insuficiência. Eu sou, como a poeira, levada pelo ar e visível apenas de determinados ângulos, por refletir luz; de resto, sou imperceptível. Cansada de esperar meus segundos de luz, acendo o abajur; e um cigarro, só para lembrar. Mesmo que minha vista fatigada não suporte a luz e minhas narinas, o cheiro. O sofrimento acompanha o gosto de viver, assim como odores fétidos acompanham boas lembranças. É o equilíbrio entre os contrastes que forma a verdadeira perfeição, pois apenas o imperfeito é perfeito; é o paradoxo da perfeição.
Não sei que necessidade é essa que sinto de relatar meus pensamentos mais mórbidos e absurdos, mas sei que faz parte da minha busca pela perfeição imperfeita que me trará a paz interior. Uma paz que será perturbada, como minhas lembranças. Pois nada de bom vem sozinho, e é esse o ponto em que quero chegar.
Não se engane, eu não tinha a mínima idéia de que este texto terminaria assim; fui conduzida até este ponto por uma linha de raciocínio caótica que nem eu mesma entendo perfeitamente. Pois nada é perfeito, e eu buscava nada desde a primeira palavra imperfeita.

Um comentário:

Schirmer disse...

Não vou falar mais nada além disso: qual seu telefone? [atenda pq eu tb não gosto de ligar - rs]