Sentado, tão calado, dentro de sua tristeza solitária. Olhava o mar e sentia o vento gelado bater-lhe na face.
É que o amor transtornado em dor, agora, era não mais do que lembrança quase-que-nostálgica; e doía-lhe o peito que fosse assim.
Disseram-lhe uma vez que essa sua sensibilidade era de poucos, somente aqueles que apreendiam o mundo em maior complexidade poderiam sentir dessa forma tão exacerbada. Era uma dádiva, um presente que Deus lhe deu; enxergar o mundo em sua esfera mais sensível.
Olhou além da grande poça e quis entender o que tinha de tão extraordinário em sentir. Como não soubesse explicar-se em linguagem falada, sentiu a resposta. E tudo era assim, sentido; sem-sentido quando verbalizado. Desnorteado, imerso no caos de seus pensamentos-confusos-sentimentos. Tentava entender, mas só sentia.
Ele queria entender com palavras, mas palavra nenhuma parecia lhe explicar e exprimir qualquer coisa que fosse. Foi a hora em que chorou, pois a lágrima manifesta o que palavra nenhuma poderia significar.
Sentiu-se ainda mais só, no seu silêncio-significativo, em que as palavras eram meros barulhos insignificantes; se não o fizessem sentir.
Mas como sentia quando o vento soprava um “eu te amo” tão calmo para o mar! E o mar respondia, com seu orgulho de quem não se deixa amar, que, no entanto, o amava também – tão loucamente em sua incessante ressaca.
O amor do mar e do vento o deixava feliz, pois ele sentia que era verdadeiro e sincero. Se ele pudesse, quebraria em ondas para dizer que não se contém de amar e ventaria gelado de saudades de seu amor. Não pode, só pode falar.
E quando fala é como se mais que metade do sentimento se perdesse pelo caminho e ficasse entregue um pequenino esboço daquilo que, de tão imenso, lhe era quase insuportável de sentir. Então, não dizia – sentia sozinho o que não há como dizer.
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2 comentários:
Lindo mesmo! But the question remains: do you REALLY MEAN it?
Herr Shirmer,
o poeta é um fingidor. que ela sente, sente, ou não saberia dizer que sente.
mas na poesia ela finge que sente, e quando a gente lê, lembra do sentimento que temos.
e ela é pequinininha, imagina se fosse maior!
rs
bjs
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