09/07/2007

Eu não queria estar pensando, queria estar vivendo.
Eu não consigo parar de pensar em viver, e escrever.
Não paro, um segundo sem escrever, é um segundo sem viver as palavras internas de meu eu.
Eu mesma. Não há outro alguém que respire letras por mim; inspira, expira.
Não há pausa, é involuntário. E cada palavra é um batimento cardíaco.
Eu quero viver. Bate. Viver. Bate. Viver. Bate.
Mesmo de palavras vazias, eu quero viver.

E se meu coração parar de bater, se as letras pararem de vir, no momento em que eu secar... acaba. Mas ainda bate! E vai bater enquanto eu preencher essas linhas.

Não tenho tempo; compromissos. Bate, mas sem ritmo.
Eu nunca soube sambar.


Bate, bate, parou de bater; foi pra calar.
Morremos.

Um comentário:

Schirmer disse...

Caramba, eu me senti realmente contemplado! Não apenas pela poesia linda aqui presente, mas sobretudo pelos sentimentos que este teu post evoca em mim. Eu amo escrever. Não sei até que ponto o faço bem. Mas pouco me importa, porque considero tudo, tudo mesmo, um teste. E a vida um treino, com data incerta pra terminar. O escrever é apenas o viver.

JK Kings [teoria da história] certa vez disse da necessidade do homem se expressar. Ao meu ver, os documentos, em suas variadas formas, fôrmas e formatos são prova cabal disso.

Pode te parecer um tanto banal, mas sinto seu poema em minha alma, batendo em cada letra escrita.