Abdico de meu trono; que outro carregue o fardo de ser, sentir, pensar, questionar e viver, que meu eu extracopóreo se dissipe, como fumaça ao vento, e se perca pela liberdade. Errante e errôneo, porém, livre, de tudo que me prende. E o corpo, é a única e verdadeira prisão; organicamente mortais.
Se eu fosse som, me integraria a uma música; se fosse ar, voar.
Hoje acaba minha jornada material, meus restos se integram a Terra; e o que minha alma irá adubar? A natureza vive seu ciclo orgânico, enquanto a essência se perde; a minha essência. Queria poder me integrar ao ar, formando gotículas de mim que seriam derramadas no oceano. Sou eu, um pingo no oceano. As coisas mudam, mas o que somos permanece, e é com quem somos que não sabemos lidar. Somos os problemas, pois não haveria problemas se nada fossemos, se nunca tivéssemos sido. Somos nós as questões, sem deixarmos de ser as respostas.
Se eu fosse o nada, a lugar nenhum eu iria; talvez assim, fosse feliz.
No fim, dei voltas, ao redor da razão de meu desejo de fuga. Não há escapatória, aceito meu destino. Se devo reinar, que minha coroa seja de flores e meu reinado de risadas. E as guerras que eu entregar, são soldados que salvei.
Não há sucessor, meu ser é reinar.
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